sábado, 31 de outubro de 2009

Histórias Mágicas

O Renascer de uma Antiga Vida

Parte 3 - Finalmente em Casa

Quando Etienne finalmente abriu seus olhos, sua visão ainda estava um pouco turva, mas ela conseguiu reconhecer o homem diante dela. Era Cernun. Pensando ainda estar sonhando, ela se virou para o lado fechando os olhos, numa busca desesperada pelo que achava ser o caminho de volta à realidade. Mas logo entendeu que não haveria retorno, ela finalmente tinha retornado ao lar.

Quando abriu novamente seus olhos percebeu qu reconhecia cada detalhe do que via. As paredes, o quadro antigo pendurado por ela mesma sobre a lareira, a enorme escada em caracol que levava ao andar superior, onde estava seu quarto e o de Cernun, seu amante devotado...

Seus sentimentos naquele momento se misturavam todos. Não sabia se as lágrimas que caiam livres e em abundância pelo seu rosto eram de alegria por ter retornado, ou de tristeza por ter demorado tanto em voltar para sua casa.

Tocou de leve a face de seu amante e percebeu que ele também chorava, mesmo mantendo aquele belo sorriso que ela conhecia tão bem e que lhe causara tanto prazer em outros tempos. Sem dizer palavra alguma, Etienne puxou o homem para junto de si num abraço terno e juntou seus lábios aos dele. O beijo era conhecido de sua boca, mas o calor intenso que ele lhe provocou trouxe-lhe uma sensação completamente nova.

Quando enfim os dois se afastaram e ele tentou falar-lhe, Etienne o impediu com o toque de seu dedo e lhe disse:

- Avise a todos que a Senhora finalmente está de volta. E que agora ela veio para ficar!

Cernun não se conteve. Tomou-a em seus braços e chorou compulsivamente.

Continua..

Carta aos Amigos

Sobre a Tristeza

Querido amigo, o que seria de nossa alegria se não houvesse a tristeza?

Como definir quando estamos felizes se não experimentamos antes momentos de profunda insatisfação, desengano e depressão. Sim, pois tudo isso faz parte da tristeza nossa de cada dia.

Todos sabemos que o que é tristeza para alguns, pode significar a felicidade para outros, ou para muitos outros.

A tristeza vem para nos alertar a viver mais e melhor. A não nos atermos apenas às aparências.

Ela nos coloca à frente de tudo aquilo que teimamos em não exergar e nos mostra como somos frágeis e mutantes a cada dia.

A felicidade nos aparece como recompensa pelo respeito à nós e a tudo o que nos cerca; como combustível para continuarmos seguindo em frente.

A tristeza quando chega às vezes demora um pouco para ir embora, mas como você mesmo disse, ela passa. Assim como a felicidade.

E assim seguimos a incrível Roda da Vida. E quem não percebe isto provavelmente está morto.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Insanidades

A fé de cada um!?

Outra noite, depois de algum tempo sem poder observar meus amigos que vivem pelas ruas do centro de São Paulo, consegui voltar para casa à pé.

No caminho me deparei com uma cena bastante intrigante. Um catador de papel, segurando os restos de uma caixa de papelão debaixo do braço, caminhava em direção ao viaduto do Chá berrando impropérios.

Minha curiosidade falou mais alto e dei um jeito de me aproximar mais para tentar ouvir suas lamúrias. Acompanhem abaixo a "discussão" que ele estava tendo e tirem suas próprias conclusões:

- Deus mais desgraçado! Filho de uma p.! E Esse seu filho, um verdadeiro filho de uma cadela! Vida miserável esta. Seja homem deus e desça aqui na minha frente que você vai ver o que é bom! Eu duvido que você tenha coragem! Se você aparecer aqui agora, deus ou Jesus, eu juro que encho a cara de vocês de um bocado de tapa. Vamo lá, desce aqui, deus filho de uma p., que eu quero te cobrir de porrada!!!

Minha reação variou muito naqueles poucos instantes. Comecei espantada com tamanha fúria, passei dai para a indignação até chegar a algumas dúvidas: como medir o desespero de alguém que chega ao ponto de desafiar o seu próprio deus? Alguém que faz isso tem realmente fé? Ou é justamente por acreditar tanto no poder de um ser superior sobre sua vida se que chega a este ponto?

Notei que o homem não parecia alterado por droga alguma, pois caminhava a passos bastante firmes e tinha o olhar de alguém que sabe perfeitamente o que está fazendo!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Carta aos amigos

Aparências

Querido amigo, sua introdução para o post foi realmente muito feliz. Vou fazer meu comentário a partir dela.

Os vulcões, como todos sabem, não se movem e não alteram muito a paisagem à sua volta. Na maioria do tempo permanecem,e por anos e anos a fio, sem manifestarem qualquer sinal de vida. De repente, forçados por uma energia muito maior e incontrolável, eles explodem colocando para fora tudo o que a terra sob ele guardou por muitos anos e que provavelmente não lhe serve mais.
O estrago que causa esta fúria é arrasador. Há muita morte e destruição em seu rastro, mas o seu magma traz para a superfície um material com alta concentração de nutrientes que, quando esfria, deixa o solo ainda mais rico e fértil que antes.

O que brotar deste solo será mil vezes melhor do que aquilo que morreu pela força do fogo.
O que tiramos disso, voltando ao seu post, é que, muitas vezes, por mais difícil que seja para nós colocar para fora aquilo que nos aflige, esta pode ser a única forma de nos renovarmos e renovarmos aquilo que nos cerca.

As aparências perenemente serenas podem ser não só um sinal de paz interior, como de doença grave.

Precisamos aprender mais com a natureza que nos rodeia, pois ela não esconde por muito tempo o que lhe aflige.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Histórias Mágicas

O Renascer de uma Antiga Vida

Parte 2 - Retorno ao lar - continuação

Conforme Etienne e Cernun iam caminhando em silêncio, a moça notou que a paisagem à sua volta ia mudando. A mudança era sutil, mas ela sentia como se estivesse seguindo por um caminho diferente do que conhecia. Não demorou muito e logo tudo estava mudado. Quando Etienne finalmente se deu conta de que estava em outro lugar, mesmo tendo caminhado apenas uns poucos passos, soltou bruscamente a mão de Cernun e, com voz assustada e alta, perguntou ao rapaz onde ele a estava levando.

- Eu nunca via essa paisagem por aqui! O que você fez comigo? Por acaso você me aplicou alguma droga que causa alucinações? Cara, acho bom você me explicar direito o que está acontecendo, porque eu já estou começando a ficar realmente nervosa com você!

Cernun parou e, mais uma vez com voz calma e tranquila, lhe garantiu:

- Senhora, eu lhe suplico, não tenha medo de mim. Nada, nem ninguém, poderá lhe magoar no lugar para onde eu a estou levando. Só lhe peço um pouco mais de paciência e confiança, pois logo estaremos lá.

Etienne, mais uma vez hipnotizada com aquele tom de voz suave que mais parecia um canto doce, deu novamente a mão ao rapaz e continuou a segui-lo. Mentalmente se conectou com seu Eu interior e pediu proteção à sua Deusa, pois sabia que Ela não iria desampará-la.

No entanto, em determinado momento, ao verificar mais uma vez a brusca e inexplicável mudança na paisagem, começou a ter aquela sensação de pânico que costumava lhe acometer quando era tomada pela sua claustrofobia. Suas mãos começaram a suar e seu rosto começou a formigar. Quando pensou em abrir a boca para protestar mais uma vez, o rapaz parou e ela notou que estavam agora em frente a um enorme portão de ferro que, a um sutil gestual de mãos de Cernun, começou a se abrir. Neste momento sua visão começou a ficar turva e em segundos ela perdeu os sentidos.

O homem, parecendo adivinhar o que estava acontecendo com Etienne, rapidamente a amparou em seus braços e a carregou gentilmente para dentro de uma enorme fortaleza que se avizinhava agora em sua frente.

Na medida em que Cernun caminhava com Etienne em seus braços, a paisagem ao redor, que era cinza e sem vida, ia se tornando colorida e bela, e a fortaleza, antes parecida com um velho castelo abandonado pelo tempo, ia se transformando em um oásis de luz que emanava raios brilhantes em toda a sua volta.


Continua...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Histórias Mágicas

O Renascer de uma Antiga Vida

Parte 2 - Retorno ao lar

Etienne demorou alguns instantes para voltar a si. O toque daquele homem desconhecido em seu rosto parecia ter lhe trazido de volta lembranças que ela mesma não sabia que tinha. Ela nunca o tinha visto, mas as visões que surgiram em sua mente mostraram-lhe diversas imagens de ocasiões em que os dois apareciam juntos lado a lado. Sentia como se um enorme filme tivesse sido passado rapidamente diante de seus olhos. conseguira até sentir aromas e emoções desconhecidos.

Agora, ele estava ali, parado diante dela, com aquele olhar profundo e enternecido, as mãos em súplica, mas no momento ela não tinha a menor idéia do que dizer ou fazer. Foi então que, mesmo sem ter muita noção do que estava fazendo, respirou profundamente algumas vezes, procurando equilibrar seus pensamentos e emoções, e começou a falar. Enquanto falava com o desconhecido, tentou manter sua voz calma, porém forte, pois não queria demonstrar medo ou insegurança diante de alguém que poderia ser um lunático. Esta era sua principal arma quando se sentia acuada diante de situações difíceis.

- Quem, pelo amor da Deusa, é você e o que quer de mim? Se você pretende me assustar ou me roubar, ou sei lá o que, quero que saiba que terá de se esforçar muito para isso. Estou acostumada com malucos com você, por isso não tenho nenhum medo!

Ao dizer isto, ela começou a se sentir mais confiante e, enquanto aguardava a resposta, ficou tentando pensar em uma forma de fugir dali sem se ferir.

Finalmente o estranho respirou e voltou a fixar seus olhos nos dela. Depois de alguns instantes, que pareceram uma eternidade para Etienne, ele iniciou sua fala com uma suave canção.

- Quando tudo para mim eram trevas e eu achava que nunca mais iria ter paz ou felicidade, minha adorada e amada senhora eu encontrei. Quando depois de toda minha caminhada pela longa vida eu já não tinha mais esperança de voltar a vê-la junto a mim, eis que finalmente encontro meu repouso em sua linda face.

Depois do canto inebriante, que fez Etienne sentir-se envolta por nuvens e sussurros, o estranho e belo rapaz fez-lhe um convite:

- Minha senhora, posso lhe explicar tudo se puder me acompanhar. Prometo-lhe que jamais lhe farei mal, já que isso significaria ferir a minha própria alma. Por favor, venha comigo para um lugar onde teremos a paz necessária para os devidos esclarecimentos que mereces depois de tanto tempo ausente.

A voz do homem era quase um apelo, então Etienne, sem pensar muito na resposta, disse-lhe que infelizmente tinha um compromisso com alguém muito importante que ficaria muito triste se ela não aparecesse. Também disse que não poderia aceitar um convite de alguém que nunca vira e de quem sequer sabia o nome.

O homem rapidamente lhe falou, como se tivesse lido seus pensamentos:

- Meu nome é Cernun, querida senhora. Venho de uma época muito distante desta em que nos encontramos agora e, por mais estranho que possa lhe parecer agora, a senhora me conhece praticamente desque nasci. E não se preocupe com seu compromisso, o tempo no lugar para onde vou levá-la é bem diferente deste. Seu amigo nem se aperceberá de seu atraso. Eu prometo.

Como é que ele sabe que a pessoa é um homem? Etienne pensou assustada. Ela estava começando a ficar realmente preocupada. Pelo visto ele não iria desistir facilmente de fazer seja lá o que pretendia com ela. Pensou alguns instantes, olhou mais uma vez à sua volta, mas estranhamente não havia ainda ninguém circulando por ali. Era como se o tempo realmente tivesse parado no instante em que os dois se encontraram. Então, como o homem à sua frente pareceu-lhe de certa forma inofensivo, e porque alguma coisa dentro dela dizia para não temê-lo, resolveu aceitar a proposta. Com o dedo em riste, ela pronunciou:

- OK Cernun, é este o seu nome não? Mas vou logo avisando, se você tentar alguma coisa ou fizer alguma gracinha de que eu não goste, eu começo a gritar.

Cernun assentiu colocando mais uma vez suas mãos em forma de prece na frente do rosto e fez um leve movimento com a cabeça em direção ao chão. Em seguida, jogando sua longa túnica negra para trás, estendeu sua mão direita para Etienne que aceitou o gesto seguindo o rapaz rua acima.

Continua...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável


Dia Mundial sem Carro: um dia para repensar o transporte individual

Por Fabrício Ângelo, da Envolverde - especial para o Instituto Ethos

No Brasil, mais de 56 milhões de veículos circulam pelas ruas e rodovias. Somente na cidade de São Paulo são cerca de seis milhões.

Além dos transtornos, como os congestionamentos intermináveis, estresse e acidentes, cada um desses veículos emite 16 toneladas de gás carbônico por ano, o que significa mais poluição no ar e aumento de gases efeito estufa na atmosfera. Preocupadas com a questão, em 1988, na França, 35 cidades iniciaram um movimento pela redução dos automóveis nas ruas e criaram o Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro.

Com o tempo, a mobilização se estendeu pelos países europeus, chegando inclusive a outros continentes. No Brasil, o primeiro Dia Mundial sem Carro aconteceu em 2001, e a cada ano crescem as adesões em todos os Estados. Mais de 280 organizações de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão envolvidas na iniciativa todos os anos. Na Capital paulista, as ações estão sendo organizadas por várias entidades, como o Movimento Nossa São Paulo, Instituto Akatu, Campanha Tic Tac, Coletivo Ecologia Urbana, SOS Mata Atlântica, Respira São Paulo, Sesc e Transporte Ativo.

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