sábado, 30 de dezembro de 2017

Semana de Desejos para 2018...

Casa de Rosas e Palavras - By Ateliê da Tili
João Feltro no balanço de canela
Desejo #1: Que todos passem a pensar seriamente em:
- reciclar (lixo, roupa, sapato, brinquedos, órgãos...);
- reaproveitar (tudo o que for possível);
- repensar (antes de qualquer coisa, principalmente antes de comprar algo);
- recusar (produtos nocivos ao ambiente e, portanto, à sua vida);
- reduzir (o consumo de tudo, mas principalmente dos recursos energéticos como água e energia).
Lembrem-se: NÃO EXISTE MAIS ESSE NEGÓCIO DE JOGAR FORA, PORQUE O FORA DA FRASE, CONTINUA DENTRO DO PLANETA!

Desejo #2: Mais panelas no fogo e menos barrigas vazias...
- Menos batedores de panelas e mais pessoas solidárias.
- Menos perda de direitos e mais gente nas ruas defendendo o direito da classe trabalhadora.
- Menos produto alimentício e mais agricultura familiar e sustentável.
- Menos fakes e mais gente real, falando e fazendo coisa de gente de verdade pra gente também de verdade.

Desejo #3 - Destralhar, limpar, organizar...
- A casa, o vestuário e afins: consertar, reciclar, customizar, jogar no lixo o que não der mais.
- A vida: repensar o relacionamento com família e amigos, repensar modos de ver, de falar, de alimentar; reciclar ideias, carreira, ideais...
- Largar a preguiça nos finais dos finais de semana, e a mania de não parar de trabalhar em algum sofá bem confortável.
- Deixar todo o lixo da raiva, da dor, do rancor, vingança, autopiedade e autocomiseração no incinerador.
M I N I M A L I Z A R será a direção.
L U T A R será a obrigação.

Desejo #4 – Que haja mais tempo para...
- Ler livros – de todos os tipos, cores, tamanhos, espécies; deitada ou em pé, pra dormir ou ao acordar.
- Ouvir música – de todos os estilos, volumes, em qualquer aparelho, ao vivo, gravada, cifrada...
- Dançar – agarrada, soltinha, livrona, difícil ou facinha; de trançar as pernas, de esfregar o buxo, pulando ou batendo coxinha.
- Ir ao teatro, ao cinema, ao circo, pra rir, chorar, se espantar, se indignar ou esbravejar. Criticar também, que ninguém é sangue de barata. Mas nada de comer combo 1 ou 2 ou 3, apenas assistir e depois, quem sabe o que poderá vir...
- Cuidar das plantas, plantar comida pelos canteiros, não esmagar PANCs, quem sabe até virar jardineiro!
- Escrever pra se lembrar, pra esquecer, pra se indignar e indignar outros, para acalentar ou se despedir, pra se declarar: te amo, te odeio, te quero, te desejo! Poetar, contar história, contar piada ou informar alguém que o mundo segue sem parar, mas que é preciso também parar e nada fazer, então...

Em tempo: Ter tempo pra não ter de fazer nada que caiba ou não no tempo que você deveria ter, mas não tem, porque alguém te disse que é feio nada fazer com seu próprio tempo!

Desejo #5 - Ser mais autor do que autoral...
- Escrever mais minhas próprias ideias - nada de ficar copiando versinhos bonitinhos e mensagens solidárias de pessoas famosas ou lideranças espirituais apenas. Sábio mesmo é aquilo que você sabe de você mesmo!
- Postar foto de beleza - não de unhas bem cuidadas, mas de mãos calejadas e fortes; de ombros largos de carregar criança; de mata fechada, colorida, jardins selvagens; crianças sorrindo e brincando e não apenas "bem vestidinhas e arrumadinhas", apenas sendo crianças.
- Contar novidades verdadeiras - nada de máscaras de final de semana feliz, nem xícaras de café no Hitz. Mostre sua caneca preferida cheia de chá de erva-doce, café ou um copo de água fresca sendo tomado num dia de muito trabalho se quiser, mas que seja real. Paremos com a hipocrisia de vidas perfeitas, porque elas SIMPLESMENTE não existem! E que bom né?!

Desejo #6 - Ser tradicional na educação, ser moderna na indignação...
- Pedir licença pra passar, deixar idosos passarem primeiro, ajudar pessoas em público (principalmente mães com crianças de colo), deixar o assento para quem mais precisa, não gritar com seus pais... Sim, manter isso é bom né?! Eu gosto!
- Se indignar com racismo, machismo e outros ismos do mal? SIMMMMMM.
- Defender mulheres e crianças contra a violência? SIMMMMM.
- Cuidar dos pedestres e ciclístas? Nem precisa perguntar né!
- Gentileza SEMPRE gera gentileza. Experimente. Acredite. Funciona mesmo.

Desejo #7 - Esteja viva.
- Preserve sua saúde - Não se exponha a riscos desnecessários. É bobagem..
- Evite drogas. Principalmente as sintéticas.
- Coma comida de verdade, não produtos alimentícios (já disse isso antes, mas não custa repetir).
- Exercite-se sempre, em qualquer lugar. Não tenha vergonha de ir à academia ou caminhar na rua, ou sei lá o que. Não existe perfeição. NÃO EXISTEM PESSOAS PERFEITAS, somente pessoas com saúde ou sem saúde. E ponto final.

Desejo #8 - Seja feliz e ponto!
- Deixe os outros serem felizes.
- Faça alguém (ou muitos) feliz, mas não esqueça: felicidade é diferente pra cada um/a!
- Deixe alguém te fazer feliz.
- Consumismo não faz você feliz, faz você parecer feliz, então... (não vou repetir o que eu disse de novo rsrs).
- Dinheiro traz sim felicidade pra algumas pessoas. Mas pra outras, xiiiii. Cuide disso com sabedoria.
- Não se esforce muito pra ser feliz, apenas perceba quando a felicidade chegar e deixe ela ficar. É simples, você vai ver!

Um beijo, um cheiro, um abraço, e um vivaz 2018 pra todes!


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A Praia



Azul é a cor mais quente...
Um filme ou uma verdade, ela refletia diante daquele cenário deslumbrante e totalmente eficaz contra qualquer tipo de mal humor.
A vida lhe dera milhares de possibilidades de palavras, frases, orações, mas naquele momento em especial, faltava-lhe até o fôlego para colocar pra fora o sentimento que invadia seu corpo cansado e até sua alma, já repartida pelas noites insones e noitadas com os amigos.
A brisa, que insistia em soprar, atrapalhava aquela sensação de esvaziamento tão boa que aquela imagem estava prestes a lhe proporcionar. Então esfregou as palmas das mãos repetidas vezes, até senti-las suavemente quentes, e as colocou em concha por cima das pálpebras frias. Ficou assim por alguns instantes, até que resolveu arriscar novamente uma olhadela.
O absurdo era este, o vento insistia ligeiro, mas a imagem continuava a se mover tranquila diante de seu olhar, agora nítido e úmido.
As pessoas começaram a passar por ela, sem notar o batom borrado ou seus cabelos um pouco desgrenhados. Ela riu pra si mesma, pois cada coisa que via agora queria gravar para sempre na memória. Se os outros soubessem...
De novo o cérebro e sua verborragia! Uau, não para nunca de pensar! Seus olhos também poderiam ser assim: nunca, jamais parar de olhar...

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Banco Solitário



Os sonhos correm pra dentro de espaços definidos, mas em algumas extraordinárias cabeças a paisagem sonhadora ultrapassa o território do imaginário e se assenta em um mundo bastante real.
Havia uma menina, que com sua mania de ler histórias e imaginar outras, às vezes tinha umas impressões estranhas de caminhar dentro do próprio sonho ou de ver os outros de cima das nuvens.
Também às vezes, ela caia literalmente do banco da praça onde costumava ler seus livros prediletos.
Adormecia, era inevitável!
Voava, literalmente, com seus contos de anjos e/ou bruxas.
Dançava ao som de ventos uivantes e chorava profundamente quando algum casal apaixonado se desencontrava por alguns capítulos.
Até que um dia, ao chegar à praça para seu habitual momento de viagem literária, encontrou seu banco ocupado. Havia nele um menino estranho, cabisbaixo e triste, orelhas grandes demais para o seu tamanho e roupas coloridas demais para a época de inverno.
O banco, que costumava estar coberto de musgo e que tinha a pintura da madeira desbotada, estava novinho em folha, o cimento claro e quase fresco e as madeiras pintadas de vermelho-vivo.
A grama em sua volta estava aparada e, ela quase teve um surto, haviam flores primaveris de diversos tons e cores em canteiros espalhados por toda a praça, que antes era soturna e suja. A água da lagoa, antes mal cheirosa, recendia a jasmim e era puro êxtase sensorial.
Ela parou de caminhar, e já ia dar meia volta, quando o menino a chamou:
- Não vá querida leitora! Por favor fique e me ajude a voltar ao meu mundo.
A menina rodopiou nos calcanhares, olhou para a criatura à sua frente e reconheceu a figura do seu livro predileto.
Desta forma acabou perdendo os sentidos e algumas horas depois acordou deitada em sua habitual cama branca, de seu quarto de paredes brancas, de seu mundo sem cor.

Uma janela



Passeou pelo apartamento com os olhos, mas o corpo estava inerte, ainda cansado da noite fresca e perfumada, mas muito agitada.
O sono passou despercebido, como se os cílios quisessem apenas, por algum motivo não deliberado, tocarem-se para sempre.
Fechou as pálpebras, queria experimentar...
Um sono leve, dormia, acordava, e o homem ainda estava ali. Olhava para ela e de volta para a janela, cujo parapeito era adornado de artes manuais, plantinhas minúsculas e pequenos recortes de plantas emoldurados em palitos de sorvete reciclados.
Sentia um pouco de frio, mas não tinha nenhuma vontade de cobrir o corpo nu. Sentia-se livre... Nuvem flutuando num céu desconhecido, mas nada hostil.
Todo o quarto estava iluminado pela luz dos primeiros raios de sol de Brasília, aquele céu fabuloso que só ali reside e residirá para sempre.
Passarinhos...
Vontade de falar em francês...
Silêncio, o homem se aproxima.
Os olhos se vêem. Os sorrisos são amarelos como a nicotina dos cigarros de cravo que fumaram.
Os beijos estalam na testa e no nariz e o sorriso os consome.
Depois vão tomar café, porque o avião só sairá em três horas e a vida... Bom, a vida sempre continua!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

domingo, 12 de novembro de 2017

#EuSouMaisEu



Sou mulher, preta, pobre.
Sou socióloga pós-graduada, empreendedora, desempregada.
Sou mãe, esposa e filha 24 horas por dia. 
Cozinho, lavo, passo e ainda brinco com filho.

Corto cabelo, faço unha, massagem e amor
Sou freela, escrevo texto (e estudos de outros).
E eu também sou bordadeira, bonequeira, artesã e arteira
Me viro nos trinta, mas sempre me saio com menos quarenta.

Estudo todo santo dia, pra não sucumbir à vilania
E todo diabo de dia também, pra não me esquecer de onde vim. 
E, caraca, sou de esquerda, meio anarquista, mas vendida jamais.

E eu não tenho casa, nem carro, nem Money.
Sou o que intelectuais chamam de estatística.
Mas ainda assim #eusoumaiseu e me garanto nesse pais de M. onde "estatísticas" como eu desistem rápido e costumam sucumbir à tirania macho-fascista-patriarcal-cristã.

E não, não sou bonita, e nem feia
E nem precisa, não faz diferença.
Minha vaidade não é da conta de quem pensa
Que vai definir minha presença.

Minha poesia? Essa é só mais uma sangria
Escorrendo inteira de meu corpo
Sugada pelo sinhô e por algum outro
Que principia a exploração, ou silencia a opressão.

#EuSouMaisEu #SouMulherNegra #SouPretaPobre 

E se você não gostou, é um direito seu e também é um problema seu!

sábado, 15 de abril de 2017

Como reagir ao envelhecimento?

Imagem: Pixabay/mcmacin

Quando nos levantamos um dia e percebemos que estamos, finalmente, envelhecendo, como é que deveríamos reagir?

Crescer de vez, sair daquele lugar comum de aceitação e finalmente começar a dizer tudo o que se pensa sobre a idade, sexo, drogas e rock'n'roll... Aprender uma nova língua, entrar definitivamente naquele cursinho de croché, se matricular em aulas de yoga para a "melhor idade", ou continuar simplesmente com sua vida, fazendo de conta que n.a.d.a mudou!?

Um dilema que comecei a viver há pouco mais de três anos, quando recebi duas notícias muito difíceis: estava entrando na menopausa e, ao mesmo tempo, desenvolvendo uma osteopenia (aquilo que antecede à osteoporose*).

Parece estranho, mas é assim mesmo como falam: num dia você é uma mulher bonita, desejada, sexy, e no outro, bem no outro, você já não é nem mais vista como mulher.

Espantar-se? Infelizmente, ao menos no Brasil, as coisas se exatamente assim quanto se trata de mulheres maduras, ou coroas, como diria a gíria.

Não existe fórmula mágica para saber se você está velha ou apenas envelhecendo (e muito menos exame médico, apesar de todo mundo achar que sim), basta apenas que você tente fazer do mesmo jeito algumas coisas que fazia antes com muuuuita facilidade, mas que exigiam um certo grau de esforço. Mas faça isso somente depois de ter passado um dia inteiro fazendo serviços corriqueiros e massantes. Tente primeiro abaixar-se, sem se curvar, para pegar algo no chão (ei, cuidado para não se machucar tá, vá devagar!). Ai, dependendo do que acontece, você vai perceber que vai precisar se alongar praticamente todos os dias se quiser continuar a fazer certos movimentos, e, com certeza, vai começar a entender que está envelhecendo, já que uma pessoa jovem rarissimamente passaria por isso.

Simples assim!? Simmmm, simples assim.

Mas....

Isso não significa que você vai morrer logo, que precisa se abster de fazer coisas que ama, que tem que começar a pensar no testamento...

Nãoooo, nada disso!

Continue a viver sua vida, e ainda com mais entusiasmo, com mais ânimo, com mais vontade de viver, porque isso sim vai fazer diferença quando você final e efetivamente estiver velho.

Intensifique suas atividades físicas ou passe a fazer caso não esteja habituado (com acompanhamento profissional, claro!). Pare para se alimentar e o faça da forma mais saudável possível. Abandone hábitos ruins, mesmo que isso signifique algumas horas de crise de abstinência (procure um profissional para te ajudar. Existem psicólogos para isso, inclusive na rede do SUS.). Ah, sabe aquela viagem que você sempre sonhou em fazer? Comece a planejá-la agora mesmo, não porque você pode morrer em breve, mas sim pensando que o que vale na vida é ser feliz com aquilo que realmente traz prazer. Não entre nessa de tomar dezenas de remédios anti isto ou anti aquilo. Passe a pensar mais em vitaminas e exercícios como prevenção e, sim, não se esqueça de manter também sua mente vigorosa, saudável. Leia ainda mais, faça cursos desafiadores, mesmo que não consiga concluí-los, pois uma hora você vai achar aquele que vai fazer você se apaixonar.

Namore muito e ainda mais. Ou não! Simplesmente não faça aquilo que lhe cause qualquer sofrimento, inclusive sexo!

A vida está lhe dizendo "ei, não perca mais tempo, seja feliz", então acredite que é possível, que NUNCA é tarde e que nem é preciso ser rico para que isso se concretize. Por falar nisso, continue a ganhar dinheiro, ele é fundamental quando se vive numa sociedade capitalista em que tudo tem um preço.

De resto, lhe desejo sorte, resiliência e muito amor.

Semana de Desejos para 2018...

João Feltro no balanço de canela Desejo #1: Que todos passem a pensar seriamente em: - reciclar (lixo, roupa, sapato, brinquedos, ór...