quarta-feira, 6 de junho de 2018

Vamos cuidar bem uns dos outros enquanto estamos vivos? | Monja Coen | Z...





Postagem que não precisa nem de comentário, mas sim ser divulgada e compartilhada aos montes, para que chegue a lugares e mentes onde é muito necessária.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Compro seu trabalho





A reforma trabalhista está em vigor, mas nem todo acordo é bom pra você. Seus direitos têm valor. Informe-se: www.reformadaclt.com.br

sexta-feira, 20 de abril de 2018

A Noite chegou tarde - por Pedro Tierra

Pedro Tierra - poeta do povo
A Noite chegou tarde 

Pedro Tierra*

“Você me prende vivo, eu escapo morto. De repente, olha eu de novo... perturbando a paz, exigindo o troco...” Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro.

O reverso da madrugada bate à tua porta.
Mais uma vez. Como há quarenta anos.
Com o nó dos dedos desta noite
que insiste em revogar os códigos do tempo
e prolonga sua aspiração à eternidade.

Há quarenta anos vem polindo algemas. 
Com os olhos atentos
de quem te acompanha
por tantos desertos,
em tantas batalhas,
acendo a suspeita:
a Noite chegou tarde
ao encontro que todos esperavam...

A esta altura, você já é
a própria madrugada,
luz intangível que emana
para alimentar esperanças:

Impossível cercar com algemas
os pulsos da madrugada.


Homens vestidos de preto,
sob as ordens de outros tantos,
igualmente vestidos de preto
te conduzem a Curitiba.
Julgam que você lê um livro
no silêncio da cela. E se enganam.
Você está no alto da página de um jornal,
em Nova Iorque, sob a neblina de Londres,
aos pés de Luís de Camões, em Lisboa,
na Puerta del Sol, em Madri.

Não suspeitam, os homens de preto,
que a Universidade de Rosário
te confere nessa hora
o título de Doutor Honoris Causa...

Você desembarca em Roma,
Berlim, Moscou ou no alarido de Beijing...
Anda por uma rua de Paris
que se despede do inverno,
acenando flores ainda indecisas
para tecer a irrevogável primavera
que se anuncia.

Você roda pelo sul do país,
sob o fogo das carabinas
ou no Eixo Norte da transposição,
rebatizado em Monteiro, na Paraíba.
Ali o São Francisco lança água
e esperança
nos olhos de teus irmãos.

Você chama o país a S. Bernardo, 
para devolver São Bernardo ao país:
os sentidos de S. Bernardo,
os sonhos de S. Bernardo.
E avisa:
“não se aprisionam os nossos sonhos” .

Hoje você foi visto, finalmente...
agitando bandeiras na cobertura
de um certo tríplex, no Guarujá...
e expôs a fraude da sentença
que te condena
e a verdade que te absolverá.

A vida é breve para uma luta tão longa.
Não basta uma vida para tantas batalhas.
“Dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria...” 
repetem há 200 anos as montanhas de Minas... 
A vida, há que multiplicá-la por tantos
quantos forem teus filhos vivos.

Nossa palavra será o teu alimento.
Devolvemos a você,
raiz e destino de nossas esperanças,
a força de sua voz rouca
que nos ecoa no coração, 
com a ternura rabiscada na letra incerta
das crianças, dos peões ou das mulheres do povo
que te escrevem – garrafas ao mar... –
mensagens de acender
amor em dias de indignação.

O amor em tempos sombrios,
nos ensina a soprar sob as cinzas
as brasas sagradas da cólera...


*Pedro Tierra é poeta. Militante do Partido dos Trabalhadores.
Acampamento “Lula Livre”, Brasília, antevéspera do 21 de abril.



sábado, 30 de dezembro de 2017

Semana de Desejos para 2018...

Casa de Rosas e Palavras - By Ateliê da Tili
João Feltro no balanço de canela
Desejo #1: Que todos passem a pensar seriamente em:
- reciclar (lixo, roupa, sapato, brinquedos, órgãos...);
- reaproveitar (tudo o que for possível);
- repensar (antes de qualquer coisa, principalmente antes de comprar algo);
- recusar (produtos nocivos ao ambiente e, portanto, à sua vida);
- reduzir (o consumo de tudo, mas principalmente dos recursos energéticos como água e energia).
Lembrem-se: NÃO EXISTE MAIS ESSE NEGÓCIO DE JOGAR FORA, PORQUE O FORA DA FRASE, CONTINUA DENTRO DO PLANETA!

Desejo #2: Mais panelas no fogo e menos barrigas vazias...
- Menos batedores de panelas e mais pessoas solidárias.
- Menos perda de direitos e mais gente nas ruas defendendo o direito da classe trabalhadora.
- Menos produto alimentício e mais agricultura familiar e sustentável.
- Menos fakes e mais gente real, falando e fazendo coisa de gente de verdade pra gente também de verdade.

Desejo #3 - Destralhar, limpar, organizar...
- A casa, o vestuário e afins: consertar, reciclar, customizar, jogar no lixo o que não der mais.
- A vida: repensar o relacionamento com família e amigos, repensar modos de ver, de falar, de alimentar; reciclar ideias, carreira, ideais...
- Largar a preguiça nos finais dos finais de semana, e a mania de não parar de trabalhar em algum sofá bem confortável.
- Deixar todo o lixo da raiva, da dor, do rancor, vingança, autopiedade e autocomiseração no incinerador.
M I N I M A L I Z A R será a direção.
L U T A R será a obrigação.

Desejo #4 – Que haja mais tempo para...
- Ler livros – de todos os tipos, cores, tamanhos, espécies; deitada ou em pé, pra dormir ou ao acordar.
- Ouvir música – de todos os estilos, volumes, em qualquer aparelho, ao vivo, gravada, cifrada...
- Dançar – agarrada, soltinha, livrona, difícil ou facinha; de trançar as pernas, de esfregar o buxo, pulando ou batendo coxinha.
- Ir ao teatro, ao cinema, ao circo, pra rir, chorar, se espantar, se indignar ou esbravejar. Criticar também, que ninguém é sangue de barata. Mas nada de comer combo 1 ou 2 ou 3, apenas assistir e depois, quem sabe o que poderá vir...
- Cuidar das plantas, plantar comida pelos canteiros, não esmagar PANCs, quem sabe até virar jardineiro!
- Escrever pra se lembrar, pra esquecer, pra se indignar e indignar outros, para acalentar ou se despedir, pra se declarar: te amo, te odeio, te quero, te desejo! Poetar, contar história, contar piada ou informar alguém que o mundo segue sem parar, mas que é preciso também parar e nada fazer, então...

Em tempo: Ter tempo pra não ter de fazer nada que caiba ou não no tempo que você deveria ter, mas não tem, porque alguém te disse que é feio nada fazer com seu próprio tempo!

Desejo #5 - Ser mais autor do que autoral...
- Escrever mais minhas próprias ideias - nada de ficar copiando versinhos bonitinhos e mensagens solidárias de pessoas famosas ou lideranças espirituais apenas. Sábio mesmo é aquilo que você sabe de você mesmo!
- Postar foto de beleza - não de unhas bem cuidadas, mas de mãos calejadas e fortes; de ombros largos de carregar criança; de mata fechada, colorida, jardins selvagens; crianças sorrindo e brincando e não apenas "bem vestidinhas e arrumadinhas", apenas sendo crianças.
- Contar novidades verdadeiras - nada de máscaras de final de semana feliz, nem xícaras de café no Hitz. Mostre sua caneca preferida cheia de chá de erva-doce, café ou um copo de água fresca sendo tomado num dia de muito trabalho se quiser, mas que seja real. Paremos com a hipocrisia de vidas perfeitas, porque elas SIMPLESMENTE não existem! E que bom né?!

Desejo #6 - Ser tradicional na educação, ser moderna na indignação...
- Pedir licença pra passar, deixar idosos passarem primeiro, ajudar pessoas em público (principalmente mães com crianças de colo), deixar o assento para quem mais precisa, não gritar com seus pais... Sim, manter isso é bom né?! Eu gosto!
- Se indignar com racismo, machismo e outros ismos do mal? SIMMMMMM.
- Defender mulheres e crianças contra a violência? SIMMMMM.
- Cuidar dos pedestres e ciclístas? Nem precisa perguntar né!
- Gentileza SEMPRE gera gentileza. Experimente. Acredite. Funciona mesmo.

Desejo #7 - Esteja viva.
- Preserve sua saúde - Não se exponha a riscos desnecessários. É bobagem..
- Evite drogas. Principalmente as sintéticas.
- Coma comida de verdade, não produtos alimentícios (já disse isso antes, mas não custa repetir).
- Exercite-se sempre, em qualquer lugar. Não tenha vergonha de ir à academia ou caminhar na rua, ou sei lá o que. Não existe perfeição. NÃO EXISTEM PESSOAS PERFEITAS, somente pessoas com saúde ou sem saúde. E ponto final.

Desejo #8 - Seja feliz e ponto!
- Deixe os outros serem felizes.
- Faça alguém (ou muitos) feliz, mas não esqueça: felicidade é diferente pra cada um/a!
- Deixe alguém te fazer feliz.
- Consumismo não faz você feliz, faz você parecer feliz, então... (não vou repetir o que eu disse de novo rsrs).
- Dinheiro traz sim felicidade pra algumas pessoas. Mas pra outras, xiiiii. Cuide disso com sabedoria.
- Não se esforce muito pra ser feliz, apenas perceba quando a felicidade chegar e deixe ela ficar. É simples, você vai ver!

Um beijo, um cheiro, um abraço, e um vivaz 2018 pra todes!


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A Praia



Azul é a cor mais quente...
Um filme ou uma verdade, ela refletia diante daquele cenário deslumbrante e totalmente eficaz contra qualquer tipo de mal humor.
A vida lhe dera milhares de possibilidades de palavras, frases, orações, mas naquele momento em especial, faltava-lhe até o fôlego para colocar pra fora o sentimento que invadia seu corpo cansado e até sua alma, já repartida pelas noites insones e noitadas com os amigos.
A brisa, que insistia em soprar, atrapalhava aquela sensação de esvaziamento tão boa que aquela imagem estava prestes a lhe proporcionar. Então esfregou as palmas das mãos repetidas vezes, até senti-las suavemente quentes, e as colocou em concha por cima das pálpebras frias. Ficou assim por alguns instantes, até que resolveu arriscar novamente uma olhadela.
O absurdo era este, o vento insistia ligeiro, mas a imagem continuava a se mover tranquila diante de seu olhar, agora nítido e úmido.
As pessoas começaram a passar por ela, sem notar o batom borrado ou seus cabelos um pouco desgrenhados. Ela riu pra si mesma, pois cada coisa que via agora queria gravar para sempre na memória. Se os outros soubessem...
De novo o cérebro e sua verborragia! Uau, não para nunca de pensar! Seus olhos também poderiam ser assim: nunca, jamais parar de olhar...

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Banco Solitário



Os sonhos correm pra dentro de espaços definidos, mas em algumas extraordinárias cabeças a paisagem sonhadora ultrapassa o território do imaginário e se assenta em um mundo bastante real.
Havia uma menina, que com sua mania de ler histórias e imaginar outras, às vezes tinha umas impressões estranhas de caminhar dentro do próprio sonho ou de ver os outros de cima das nuvens.
Também às vezes, ela caia literalmente do banco da praça onde costumava ler seus livros prediletos.
Adormecia, era inevitável!
Voava, literalmente, com seus contos de anjos e/ou bruxas.
Dançava ao som de ventos uivantes e chorava profundamente quando algum casal apaixonado se desencontrava por alguns capítulos.
Até que um dia, ao chegar à praça para seu habitual momento de viagem literária, encontrou seu banco ocupado. Havia nele um menino estranho, cabisbaixo e triste, orelhas grandes demais para o seu tamanho e roupas coloridas demais para a época de inverno.
O banco, que costumava estar coberto de musgo e que tinha a pintura da madeira desbotada, estava novinho em folha, o cimento claro e quase fresco e as madeiras pintadas de vermelho-vivo.
A grama em sua volta estava aparada e, ela quase teve um surto, haviam flores primaveris de diversos tons e cores em canteiros espalhados por toda a praça, que antes era soturna e suja. A água da lagoa, antes mal cheirosa, recendia a jasmim e era puro êxtase sensorial.
Ela parou de caminhar, e já ia dar meia volta, quando o menino a chamou:
- Não vá querida leitora! Por favor fique e me ajude a voltar ao meu mundo.
A menina rodopiou nos calcanhares, olhou para a criatura à sua frente e reconheceu a figura do seu livro predileto.
Desta forma acabou perdendo os sentidos e algumas horas depois acordou deitada em sua habitual cama branca, de seu quarto de paredes brancas, de seu mundo sem cor.

Uma janela



Passeou pelo apartamento com os olhos, mas o corpo estava inerte, ainda cansado da noite fresca e perfumada, mas muito agitada.
O sono passou despercebido, como se os cílios quisessem apenas, por algum motivo não deliberado, tocarem-se para sempre.
Fechou as pálpebras, queria experimentar...
Um sono leve, dormia, acordava, e o homem ainda estava ali. Olhava para ela e de volta para a janela, cujo parapeito era adornado de artes manuais, plantinhas minúsculas e pequenos recortes de plantas emoldurados em palitos de sorvete reciclados.
Sentia um pouco de frio, mas não tinha nenhuma vontade de cobrir o corpo nu. Sentia-se livre... Nuvem flutuando num céu desconhecido, mas nada hostil.
Todo o quarto estava iluminado pela luz dos primeiros raios de sol de Brasília, aquele céu fabuloso que só ali reside e residirá para sempre.
Passarinhos...
Vontade de falar em francês...
Silêncio, o homem se aproxima.
Os olhos se vêem. Os sorrisos são amarelos como a nicotina dos cigarros de cravo que fumaram.
Os beijos estalam na testa e no nariz e o sorriso os consome.
Depois vão tomar café, porque o avião só sairá em três horas e a vida... Bom, a vida sempre continua!

Vamos cuidar bem uns dos outros enquanto estamos vivos? | Monja Coen | Z...

Postagem que não precisa nem de comentário, mas sim ser divulgada e compartilhada aos montes, para que chegue a lugares e mentes onde é mu...