domingo, 12 de novembro de 2017

#EuSouMaisEu



Sou mulher, preta, pobre.
Sou socióloga pós-graduada, empreendedora, desempregada.
Sou mãe, esposa e filha 24 horas por dia. 
Cozinho, lavo, passo e ainda brinco com filho.

Corto cabelo, faço unha, massagem e amor
Sou freela, escrevo texto (e estudos de outros).
E eu também sou bordadeira, bonequeira, artesã e arteira
Me viro nos trinta, mas sempre me saio com menos quarenta.

Estudo todo santo dia, pra não sucumbir à vilania
E todo diabo de dia também, pra não me esquecer de onde vim. 
E, caraca, sou de esquerda, meio anarquista, mas vendida jamais.

E eu não tenho casa, nem carro, nem Money.
Sou o que intelectuais chamam de estatística.
Mas ainda assim #eusoumaiseu e me garanto nesse pais de M. onde "estatísticas" como eu desistem rápido e costumam sucumbir à tirania macho-fascista-patriarcal-cristã.

E não, não sou bonita, e nem feia
E nem precisa, não faz diferença.
Minha vaidade não é da conta de quem pensa
Que vai definir minha presença.

Minha poesia? Essa é só mais uma sangria
Escorrendo inteira de meu corpo
Sugada pelo sinhô e por algum outro
Que principia a exploração, ou silencia a opressão.

#EuSouMaisEu #SouMulherNegra #SouPretaPobre 

E se você não gostou, é um direito seu e também é um problema seu!

Um comentário:

Antonio Williton disse...

O que falar?!
Apenas tentar e imaginar as fases e faces de uma mulher que sabendo o que sabe e aprendendo o que Paracelso já falava: "A aprendizagem é a nossa própria vida". E Meszaros que a completa: "Para além do capital". Poesia linda que remete o passado e presente que vivemos, mas deixando o futuro bem claro para os compradores de moralidades e obediência do gênero feminino. Lindo, lindo. Te amo.

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