terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Banco Solitário



Os sonhos correm pra dentro de espaços definidos, mas em algumas extraordinárias cabeças a paisagem sonhadora ultrapassa o território do imaginário e se assenta em um mundo bastante real.
Havia uma menina, que com sua mania de ler histórias e imaginar outras, às vezes tinha umas impressões estranhas de caminhar dentro do próprio sonho ou de ver os outros de cima das nuvens.
Também às vezes, ela caia literalmente do banco da praça onde costumava ler seus livros prediletos.
Adormecia, era inevitável!
Voava, literalmente, com seus contos de anjos e/ou bruxas.
Dançava ao som de ventos uivantes e chorava profundamente quando algum casal apaixonado se desencontrava por alguns capítulos.
Até que um dia, ao chegar à praça para seu habitual momento de viagem literária, encontrou seu banco ocupado. Havia nele um menino estranho, cabisbaixo e triste, orelhas grandes demais para o seu tamanho e roupas coloridas demais para a época de inverno.
O banco, que costumava estar coberto de musgo e que tinha a pintura da madeira desbotada, estava novinho em folha, o cimento claro e quase fresco e as madeiras pintadas de vermelho-vivo.
A grama em sua volta estava aparada e, ela quase teve um surto, haviam flores primaveris de diversos tons e cores em canteiros espalhados por toda a praça, que antes era soturna e suja. A água da lagoa, antes mal cheirosa, recendia a jasmim e era puro êxtase sensorial.
Ela parou de caminhar, e já ia dar meia volta, quando o menino a chamou:
- Não vá querida leitora! Por favor fique e me ajude a voltar ao meu mundo.
A menina rodopiou nos calcanhares, olhou para a criatura à sua frente e reconheceu a figura do seu livro predileto.
Desta forma acabou perdendo os sentidos e algumas horas depois acordou deitada em sua habitual cama branca, de seu quarto de paredes brancas, de seu mundo sem cor.

Um comentário:

Tertuliano Xavier de Lima Neto disse...

De onde vem a inspiração?! Ah! Se eu entendesse o sopro da brisa recebida neste banco...

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