terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Uma janela



Passeou pelo apartamento com os olhos, mas o corpo estava inerte, ainda cansado da noite fresca e perfumada, mas muito agitada.
O sono passou despercebido, como se os cílios quisessem apenas, por algum motivo não deliberado, tocarem-se para sempre.
Fechou as pálpebras, queria experimentar...
Um sono leve, dormia, acordava, e o homem ainda estava ali. Olhava para ela e de volta para a janela, cujo parapeito era adornado de artes manuais, plantinhas minúsculas e pequenos recortes de plantas emoldurados em palitos de sorvete reciclados.
Sentia um pouco de frio, mas não tinha nenhuma vontade de cobrir o corpo nu. Sentia-se livre... Nuvem flutuando num céu desconhecido, mas nada hostil.
Todo o quarto estava iluminado pela luz dos primeiros raios de sol de Brasília, aquele céu fabuloso que só ali reside e residirá para sempre.
Passarinhos...
Vontade de falar em francês...
Silêncio, o homem se aproxima.
Os olhos se vêem. Os sorrisos são amarelos como a nicotina dos cigarros de cravo que fumaram.
Os beijos estalam na testa e no nariz e o sorriso os consome.
Depois vão tomar café, porque o avião só sairá em três horas e a vida... Bom, a vida sempre continua!

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